Lá pelo fim do ano passado, um senhor alto, de olhar bondoso e sorriso largo anda circulando pelo pátio da Catedral São João Batista. A aparência afável fazia com que muitos arriscassem uma abordagem: “o senhor é o padre novo?”, diziam. Com aquele sorriso largo, respondia: “sim”. Este é o padre Renato Krause, que do alto dos seus 77 anos assumiu a nova missão de vigário paroquial na Catedral com ânimo de guri. Nem bem tinha se mudado, já participava das missas, mesmo lá do fundo da igreja.
Padre Renato (E) e padre Genico sendo apresentados para as funções na Catedral
Com 48 anos de sacerdócio, completados agora em janeiro, o padre Renato deixa sempre uma marca por onde passa. E não são poucas paróquias por onde esteve: nove. Ou seja, a Paróquia Catedral São João Batista é a décima na vida de Renato, prestes a completar 50 anos de sacerdócio. Por onde rodou, deixou suas marcas. Fala-se muito que o padre Renato é um verdadeiro operário da fé, sempre disposto na missão. Muitos lembram de suas habilidades musicais, embora outros digam que está meio enferrujado. Jovens, hoje já não tão jovens, lembram especialmente dele, pelo destaque que teve no CLJ aqui na região e na Diocese.
Para conhecer um pouco mais sobre o padre Renato, a Pascom da Catedral preparou uma entrevista com ele. Com muita desenvoltura nas tecnologias, o padre aceitou de pronto uma bate-papo pelo WhatsApp e ainda mandou as fotos que fazem parte de sua história.
Confira.
Pascom - Onde o senhor nasceu? E onde cresceu?
Pe. Renato - Eu nasci no dia 23 de julho de 1947, em Nova Petrópolis, RS, na localidade de Linha Imperial. Foi lá onde cresci, fiz meus estudos primários (até o 5º ano) na então ainda Escola Paroquial “São Lourenço” dirigida pelas Irmãs “Imaculado Coração de Maria". Na escola, também se tinha aulas de religião. A maior parte da minha preparação remota para a primeira comunhão e da “comunhão solene”, que acontecia no 5º ano, e que foi na escola. A preparação próxima e intensiva aconteceu na Igreja Matriz São Lourenço Mártir. Igreja e escola ficavam perto uma da outra.
Pascom - O senhor tem mais irmãos?
Pe. Renato - Somos quatro filhos de Jose Krause e de Maria (Birck) Krause. Somos Renato, Valesca, Teresinha e Cláudio.
Avós paternos, dos quais pe. Renato guarda muitas lembranças
Pascom - Qual a sua melhor lembrança da sua infância?
Pe. Renato - Todos os momentos vividos são importantes, pois eles constituem a nossa história pessoal. Há o momento em que a vida acontece e quando se olha para trás. Entre eles estão ir na casa dos avós maternos no 2º dia do Natal e 2º dia da Páscoa. Também as férias de julho do 1º ano de seminário. Eu entrei no seminário final de fevereiro e o reencontro com a família aconteceu em julho. Neste período, o contato com a família era por carta. Também lembro da Celebração das Bodas de Ouro dos pais.
Pascom - O Renato criança era arteiro? O que mais gostava de fazer quando guri?
Pe. Renato - As artes fazem parte da vida da criançada. Como bom guri, também fiz as minhas. Os pais e o anjo da guarda estavam sempre por perto. Vivi minha infância numa realidade diferente. Meus pais assumiram os avós paternos. Morávamos juntos partilhado a vida, a propriedade e a casa. Quando a vó quebrou a perna ficou com forte sequela de locomoção. Isto nos prendeu em casa. Muitas visitas de vizinhos, tios, dos primos. Saíamos com os pais ou ficava-se em casa; era escola, casa, igreja, casa. Deste período tenho vaga lembrança.
Meu vô era marceneiro. Tinha serra fita tocada a boi. E, como se diz, filho de peixe peixinho é. O pai tinha comprado um pacote de pregos para fazer uns reparos nas instalações. Enquanto os pais faziam sala para a visita, eu também me ocupei. Peguei uns pregos novos e um martelo e mãos à obra. Quando o pai buscou pelos pregos para fazer os reparos previstos, só achou o cartucho dos pregos vazio.
Nas bodas dos avós, Renato era um gurizote, este primeiro na direta, sentado
Pascom - Como descobriu sua vocação ao sacerdócio?
Pe. Renato - Morávamos perto da igreja. O pai cantava no coral, a mãe envolvida com o Apostolado da Oração. A participação na comunidade falava muito alto e se tinha uma alta consideração e estima. Eu ainda estudava na escola paroquial, era coroinha. Não tenho um momento assim para dizer: aqui despertou minha vocação ao sacerdócio. Tinham mais vocacionados, entre eles Dom Dadeus Grings. Era algo mais comum. Os seminaristas eram muito considerados.
No tempo das férias do seminário, era obrigatório sempre visitar meu vô e, também, a tia. Sempre tinham reservado um dinheirinho para ajudar a pagar os estudos. O valor era simbólico, mas o apreço era muito grande.
Pascom - Quando entrou no seminário? E onde era esse seminário?
Pe. Renato - No final de fevereiro de 1962, no Seminário São José de Gravataí.
Pe. Renato entre conterrâneos e amigos dos tempos de seminário
Pascom - Onde o senhor fez a sua formação? Por quais seminários, escolas e universidades passou?
Pe. Renato - De 1962 a 1968, estudei no Seminário São José de Gravataí. Foram os quatro anos do Ginásio e os anos do Clássico, como se chamava na época. Em 1969, iniciamos a Filosofia no Seminário Maior em Viamão. Depois, em 1971, os quatro anos da Teologia na PUC, em Porto Alegre.
Pascom - Quando o senhor foi ordenado padre e qual a melhor lembrança deste dia?
Pe. Renato - Fui ordenada no dia 8 de janeiro de 1977, na Paróquia São Lourenço Mártir, de Linha Imperial, Nova Petrópolis – RS, por Dom Vicente Scherer. É difícil escolher um só, é um momento da vida.
Pascom - Por quais cidades o senhor passou?
Pe. Renato - Paróquias São João Batista de Camaquã; Nossa Senhora das Graças e Santa Luzia de Canoas. Também Nova Santa Rita e Bom Princípio, no Seminário. Ainda estive na Nossa Senhora do Rosário de Mariana Pimentel; Nossa Senhora da Conceição de São Vendelino; São José de São José do Hortêncio; Nossa Senhora das Graças de Portão e agora São João Batista de Montenegro.
Pe. Renato com os pais e irmãos
Pascom - A Diocese de Montenegro não é sua Diocese de origem. Como veio para “Diocese da Alegria”?
Pe. Renato - Minha Diocese de Origem é Novo Hamburgo. Há uma norma de que os padres fiquem onde estão atuando no momento de criação de uma nova diocese. Quem deseja troca deve fazer uma solicitação ao seu bispo. Quando foi criada a Diocese de Montenegro, estava atuando em São Vendelino.
Pascom - No clero da Diocese de Montenegro, o senhor é um dos padres mais velhos. O que isso significa para o senhor?
Pe. Renato - Estou com os mais idosos da diocese. Somos Pe. Léo Staudt, Pe. Neori Theisen, Pe. Cláudio Finkler e eu. Significa muita coisa. A vida passa.
Pascom - Qual é prato preferido?
Pe. Renato - Lá em casa não tinha disso: gosto, não gosto. “A mãe cozinhou para vocês comerem”, dizia ela e servia o prato. Assim aprendi a não escolher. “A fome é a melhor cozinheira”.
Pascom - O que deixa o padre Renato feliz?
Pe. Renato - Quando as coisas acontecem e funcionam.
Pascom - E o que deixa o padre Renato muito, mas muito triste?
Pe. Renato - Quando, por maldade, são colocadas pedras no caminho. Desafios sempre teve e sempre terá.
Pascom – Quais suas expectativas para essa sua passagem por nossa Paróquia?
Pe. Renato – Minha casa sempre foi onde trabalhei. Espero que consiga fazer da casa paroquial de Montenegro a minha casa.
Pe. Renato e seus pais
Pascom – Como o padre Renato gostaria de sempre ser lembrado?
Pe. Renato – Como alguém que cumpriu sua missão com fidelidade, amor e carinho.
Pascom – Gostaria de deixar uma mensagem aos nossos paroquianos?
Pe. Renato – Deus dá uma missão a cada um de nós. Nos escolhe. Somos seus instrumentos. Um instrumento dócil nas mãos de um artista faz maravilhas.
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