No contexto
comum, leigo é aquele que não entende muito de determinado assunto. Essa
compreensão negativa de leigo não deve se aplicar ao contexto religioso
católico. No quarto domingo de agosto a Igreja no Brasil reza pela vocação dos
leigos e leigas. Leigos são todas as pessoas batizadas, exceto os ministros
ordenados (clero). Os leigos, portanto, são a imensa maioria das pessoas na
Igreja. Não é preciso ter uma missão especial na Igreja para ser leigo. Todos
os batizados o são.
Há uma ideia
comum e superficial de que a Igreja é dos padres, bispos e, no máximo, das
pessoas que exercem uma missão específica na paróquia. Há uma falha na
autocompreensão da identidade da maioria dos batizados. Todos os batizados são
Igreja. Ninguém é mais cristão ou menos cristão. A Igreja é de Cristo. Todos os
que pertencem a Cristo são a Igreja.
Qual a
identidade do leigo? Os leigos são marcados pela índole secular: vivem no
mundo, mergulhados nas realidades do mundo do trabalho, da política, da
educação, da cultura. Os leigos vivem o seu batismo no mundo. São chamados –
por isso é uma vocação – a ser “sal da terra e luz do mundo”, como afirmou
Jesus.
Tu consegues
imaginar como a sociedade seria diferente se todos os cristãos vivessem o
essencial da sua identidade batismal? Por exemplo: se todos vivessem os 10
mandamentos, não existiria corrupção; não haveria roubos; não haveria
violência; não haveria pais idosos em situação de abandono. Ser cristão é ser
sinal de Deus no mundo, em todas as realidades ser fermento de transformação.
Uma
conferência dos bispos da América Latina, em Puebla (1979) deu a melhor
definição de leigo que eu conheço: “uma pessoa do mundo no coração da Igreja;
uma pessoa da Igreja no coração do mundo”. O batizado é Igreja, está no coração
da Igreja, traz para o coração da Igreja aquilo que pulsa no mundo, na
sociedade. Não deve haver uma ruptura entre o que se vive na Igreja e o que se
vive no mundo. E são os leigos e leigas quem melhor pode fazer esta relação
necessária.
A Igreja será
melhor quando todos os leigos e leigas, unidos aos ministros ordenados, se
sentirem responsáveis pela missão de evangelizar. O mundo será melhor quando
todos os leigos e leigas, acompanhados pelos ministros ordenados, exercerem sua
missão no mundo com plena cidadania cristã. A Igreja é feliz com tantos leigos
e leigas que assumem o seu batismo!
Pe. Eduardo Luis Haas
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