Sou padre há quase 16 anos. Comecei minha vida presbiteral aqui em Montenegro, nesta Paróquia São João Batista, em 2011. Depois fui reitor do Seminário Propedêutico, aqui em Montenegro, e no Seminário de Viamão, durante 8 anos. Totalizando 9 anos como formador, pedi ao Bispo que me transferisse para uma paróquia. Ele me designou para Tupandi. Foi a primeira experiência de residir sozinho e de ser pároco. Tive que melhorar minha comunicação em alemão, devido às fortes marcas da colonização germânica por lá. Antes de completar 4 anos em Tupandi, o Bispo solicitou que eu mudasse de local: deixasse Tupandi e viesse para Montenegro, nesta Paróquia.
Faço este breve retrospecto para dizer que a vocação do padre conjuga a nossa vontade e liberdade pessoal com a necessidade e a obediência à Igreja, por meio do Bispo. Quando somos ordenados sabemos das transferências, mas cada uma precisa ser vivida, acolhida, elaborada.
Vi nas redes sociais as pessoas postando uma foto como CNPJ (perfil profissional) e outra como CPF (perfil pessoal). O padre também é profissional e pessoa, indivíduo. Contudo, a divisão entre vida privada e ministério não é a mesma. Mesmo no tempo livre, nas férias, numa atividade de lazer ou esporte, no descanso ou numa viagem, o padre é padre. Como fazer para que isso não seja um problema, não desgaste, não esvazie a pessoa e a missão do padre?
O padre não pode ser uma personagem, não pode representar. Minhas características humanas, limitações e pecados vão comigo para o altar, não ficam escondidos debaixo da túnica, da estola e da casula com que me revisto para a celebração da Missa. As dúvidas que tenho me acompanham na pregação num funeral de um jovem, na visita a um enfermo no hospital. Minhas qualidades e virtudes humanas também não ficarão anuladas pela vocação a que me sinto chamado. Ou seja: a vocação sacerdotal conjuga a nossa dimensão humana com a graça de Deus, que age em nós.
Neste início de agosto, a Igreja reza pela vocação dos padres, bispos e diáconos. Quero convidar-te a fazer uma prece por nós, padres. Acreditamos que o Senhor nos chamou para uma missão na Igreja e no mundo. Procuramos, entre erros e acertos, ajudar as pessoas e comunidades a seguirem Jesus Cristo. E reza para que os jovens tenham coragem e disposição para assumirem esta vocação que é, sem dúvidas, essencial para a vida da Igreja no mundo. Há muitas alegrias nesta vocação. E a principal delas é participar da vida das pessoas e dar-lhes um horizonte de eternidade!
Pe. Eduardo Luis Haas
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